"Algemas de ouro são muito piores que algemas de ferro"
Mahatma Gandhi
Minhas vivências me mostraram que a esfera na qual mais comumente somos impactados em nossa capacidade de priorizar por conta da dimensão "valores" é a dimensão profissional.
É na esfera do trabalho que exercitamos mais ostensivamente (ou pelo menos deveríamos exercitar) nossas capacidades de priorização usando a força dos nossos valores a nosso serviço.
O grande dificultador é que grande parte das pessoas não fez conscientemente suas escolhas profissionais, e acabou sendo inserido no mercado de trabalho em contextos que refletem essa deficiência no processo de escolher. Aqui não importa diferenciar se foi por ação (escolhas equivocadas), ou por omissão (não fazer escolhas e ainda assim arcar com as consequências), mas de uma forma ou de outra acabamos inseridos em um contexto no qual nem sempre nossos valores estão sendo honrados.
Quando alguém está exercendo uma atividade profissional dentro desse cenário, é provável que alguns dos seus valores não esteja sendo honrado. Conheci uma amiga que veio conversar comigo, pois não suportava mais o seu trabalho, e queria saber minha opinião sobre as alternativas para mudar de emprego.
Depois de um bate papo inicial, ficou claro que o problema não estava no que ela fazia (mesmo que ela se referia a isso como o ponto central de sua insatisfação), ela queria saber qual ação tomar, ou seja, queria saber o que priorizar para sair daquela situação opressora. Fiz alguns questionamentos para esclarecer como ela sentia seus valores em ação no trabalho, e me lembro que ela falou algo no sentido de que o que mais a incomodava era a impessoalidade, e a forma fria e distante que todos de seu departamento conviviam.
Estava claro que um valor de relacionamento humano não era honrado naquele ambiente, e eu a desafiei a pensar como poderia mudar aquele contexto. O interessante é que ela percebeu o fundo de verdade deste ponto, porém ainda assim reforçava que o problema central era o trabalho. Eu reforcei o desafio, e lhe disse que ela poderia buscar um outro trabalho no qual fizesse algo que gostasse mais, e tivesse um excelente relacionamento humano com os colegas, porém levaria consigo a dúvida se neste trabalho tinha feito o seu melhor.
Nesse ponto o seu valor de relacionamentos humanos falou mais forte e ela topou o desafio. Nas semanas que seguiram ela foi investindo mais em construir pontes entre as pessoas, e antes de seis meses ela tinha mudado significativamente a qualidade da relação humana entre as pessoas que trabalhavam junto a ela (aproximadamente 10 pessoas). Ela continuou lá vários anos, e saiu para um desafio mais interessante com a força de ter superado aquela, e outras situações desafiadoras.
O ponto que quero reforçar aqui é que nossos valores são sinalizadores muito fortes de quais atividades devemos investir mais (priorizar), pois conseguiremos motivar-nos em um ciclo virtuoso, e isso trás energia adicional para executar aquelas tarefas rotineiras e menos agradáveis que todos temos que executar.
Nossos valores são os elementos de nossa missão nessa vida, e devemos procurar proativamente desenhar nossos objetivos a longo, médio e curto prazos em linha com nossa missão e valores, pois neste sentido estaremos mais fortemente colocando nossa energia nas atividades que fazem sentido.
Que outros elementos podem nos ajudar a priorizar nossas ações?

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